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Os Belard

Genealogia e história de uma família em Belard.pt

O brasão dos Viscondes de Santa Margarida
e seus descendentes

Em 1904, a Viscondessa de Santa Margarida, D. Margarida de Assis de Freitas Belard da Fonseca (1847?-1924), já depois de viúva do 1º Visconde, o General António Joaquim Gomes da Fonseca (1833-1904), fez um requerimento ao Rei solicitando a concessão de um brasão de armas, mercê normalmente associada a um título de nobreza e que não tinha sido conferida juntamente com o título de visconde com o qual o seu falecido marido fora agraciado em 1893. Em boa verdade, esse pedido foi feito a 18 de Novembro de 1904 à Rainha D. Maria Pia, agindo como Regente durante a ausência do Rei D. Carlos, a qual concedeu essa mercê.


Solicitação do uso de um brasão da armas feito pela Viscondessa de Santa Margarida, D. Margarida Belard da Fonseca. 1904.

Se quiser ver todo o processo clique aqui (ficheiro em formato PDF):

Processo de Justificação de Nobreza da Viscondessa de Santa Margarida, D. Margarida Belard da Fonseca. 1904.


A Carta de Brasão veio a ser outorgada pelo Rei D. Carlos a 12 de Fevereiro de 1905 (Carta de Brasão de Armas de mercê nova, registada no Cartório da Nobreza, L. 10, fl. 156).


Carta de Brasão concedida à Viscondessa de Santa Margarida, D. Margarida Belard da Fonseca. 1905.

Se quiser ver todo o documento clique aqui (ficheiro em formato PDF):

Carta de Brasão dos Viscondes de Santa Margarida


A leitura heráldica constante da Carta de Brasão é confusa e padece da falta de qualidade generalizada da heráldica oitocentista, bem patente na própria concepção do brasão de armas, que não será das mais felizes:

"Uma lisonja partida em palla: na primeira, em campo de ouro, cinco estrellas vermelhas com cauda, postas em sautor; a segunda, talhada em vermelho e azul, na parte superior, em campo de prata, três merletes pretos, e na inferior, dois liões de ouro rompentes, armados de vermelho. Sobre o escudo a corôa de Viscondessa; timbre uma estrella das armas, e por supportes dois liões de ouro."

O itálico é meu e assinala a incoerência, embora se possa compreender face à lei heráldica que manda que não se brasone cor sobre cor nem metal sobre metal, e parece, de facto, má heráldica colocar três merletas de negro, que é uma cor, sobre campo de vermelho, que é outra cor; mas, por um lado, o negro era por alguns autores antigos considerado como uma pele, podendo, assim, sobrepor-se tanto a cores como a metais, pelo que uma peça "de negro" se poderia colocar sobre qualquer campo; e, por outro, se se considerar que as merletas são de sua cor (que é, naturalmente, o preto...), já isso não deverá chocar os puristas da heráldica. Seja como for, teria sido mais correcto (e evitava todas estas confusões...) brasonar o 1º do talhado como "De vermelho, com três merletas cosidas de negro".

De resto, que o criador do brasão referiu por erro o suposto "campo de prata" do 1º do talhado depreende-se do desenho iluminado que acompanha o registo do brasão, em que o campo das merletas é claramente vermelho, embora eu apenas disponha de uma reprodução a preto e branco que publico aqui:


Brasão concedido à Viscondessa de Santa Margarida. Da Carta de Brasão


A cores, o brasão dos Viscondes de Santa Margarida, a cujo uso todos os descendentes da 1ª Viscondessa têm direito, como consta da Carta de Brasão, será qualquer coisa como isto:


Brasão dos Viscondes de Santa Margarida. Desenho digital de Luís Belard da Fonseca, 2020


A Viscondessa de Santa Margarida fez esculpir o seu brasão no jazigo que mandou construir no cemitério de Beja para sepultura do seu marido.


Brasão no Jazigo dos Viscondes de Santa Margarida. Fotografia de Luís Belard da Fonseca, 2002

Note-se que este brasão contém uma incorrecção, que é apenas apresentar um dos leões, certamente por dificuldades do canteiro em fazer caber o outro num espaço algo estreito...


A "explicação" do brasão, para os curiosos da simbologia, é a seguinte:

  • As estrelas de vermelho sobre campo de ouro são as armas de família dos Fonsecas, a que se acrescentaram as caudas das estrelas como diferença heráldica;
  • As merletas, pequenos pássaros representados em heráldica sem bico e sem patas, simbolizam "inimigos mortos em combate";
  • Os leões de ouro sobre fundo de azul representam "feitos gloriosos no Ultramar".

Esta simbologia das merletas e dos leões já a li em qualquer parte, mas não consigo descobrir onde. Fica esta explicação, que vale o que vale...




O brasão da família Mantero

Último fólio da Certificação de Armas reconhecidas ao Dr. António Mantero Belard. 1927
Note-se a assinatura do Rei de Armas, D. Félix de Rújula, o seu selo pessoal e a certificação do registo no "Real Archivo Heraldico". Tenho apenas esta fotografia a preto-e-branco; o original a cores, em pergaminho iluminado, deve ser impressionante


Em 1927, o Dr. António Mantero Belard de Albuquerque e Castro, que também usava António Belard Velarde de Albuquerque e Castro de Mantero, ou António de Mantero Belard Velarde de Albuquerque e Castro (1899-1952), irmão do Dr. Carlos Mantero Belard e de Enrique Mantero Belard, fez em Espanha um pedido de confirmação do escudo de armas a que teria direito, pedido dirigido ao Rei de Armas de Afonso XIII, Don Félix de Rújula Martin Crespo Busel y Quirós. Daqui resultou a elaboração de um estudo heráldico-genealógico (que não sei se se poderá considerar uma Carta de Brasão) no qual se apresenta a ascendência do Dr. António Mantero e alguns colaterais e que lhe reconhece o uso do seguinte brasão (que é a montagem das armas de família dos seus ramos paterno – Mantero – e materno - Cieza, Castañeda e Velarde), o qual transcrevo do estudo que referi:

"Partido, a la derecha en oro un castillo de plata sumado de dos torrecillas, terrazado de sinople (verde) y sobre él un águila de sable (negra) exployada coronada de oro, que es de MANTERO y a la izquierda terciado en faja: 1º en oro tres cotizas o bandas estrechas de gules (rojas), acompañadas en el hueco superior de un caldero negro suspendido de unas llares del que pende una cadena negra entrelazada con las cotizas, cayendo por delante de la primera y tercera y por detrás de la segunda, y que llega a la punta del escudo, que es de CIEZA; 2º En gules (rojo) tres bandas de plata cargadas de siete arminios de sable (negros) puestos tres en la del centro y dos en cada una de las restantes, que corresponde a CASTAÑEDA; y 3º Cuartelado, primero en gules tres flores de lis de oro, segundo en oro un águila negra exployada, tercero en azur una sierpe de oro alada y retocada de verde, cuarto en sinople dos onzas de plata pasantes, y en la manteladura sobre plata un arbol verde; bordadura general de este cuartel de plata com el lema “VELARDE QUE LA SIERPE MATÓ COM LA INFANTA CASÓ” en letras negras. Al timbre celada de noble, de acero bruñido con bordadura y grilletas de oro, forrada de gules y surmontada de un penacho de cinco plumas y lambrequines de oro y plata fileteados y retocados de negro."

Acompanha este estudo heráldico-genealógico a seguinte imagem do brasão atribuído ao Dr. António Mantero:

Brasão reconhecido ao Dr. António Mantero Belard. 1927


O Dr. Jorge Forjaz informa no seu livro "Genealogias de São Tomé e Príncipe - Subsídios", a págs. 286, em nota de rodapé, que

"Desta carta de armas foram tiradas várias cópias autenticadas em Madrid pelo notário D. Jesus de Castro a 2.1.1928, todas em pergaminho e iluminadas, com encadernação em chagrin vermelho e ferros dourados, cópias essas que foram distribuídas por diversos membros da família, sendo o exemplar aqui citado propriedade da Srª D. Teresa Mantero Mendonça Alves, em Lisboa."

Este exemplar referido pelo Dr. Jorge Forjaz é a cópia que pertenceu a D. Laura Mantero Belard, irmã do Dr. António Mantero Belard que encomendou a sua elaboração. Desse exemplar extraiu o Dr. Jorge Forjaz uma imagem a cores do mesmo brasão, de igual composição e apenas com pequeníssimas diferenças no desenho, o qual reproduzo aqui com a devida vénia:

Brasão reconhecido ao Dr. António Mantero Belard. 1927 (in Dr. Jorge Forjaz, "Genealogias de São Tomé e Príncipe - Subsídios", pg. 346)


Este mesmo brasão, reproduzido em bronze, foi colocado no Jazigo da família Mantero, no Cemitério dos Prazeres, em Lisboa:

Brasão do jazigo da família Mantero no Cemitério dos Prazeres, Lisboa.


Finalmente, quando o Dr. Carlos Mantero Belard comprou, em 1941, a casa de Cascais que fora mandada construir por D. António de Lencastre, médico da Casa Real, foi ainda esta imagem que serviu de base ao brasão em talha que mandou colocar no tecto da sua sala de jantar:

Brasão da sala de jantar da Casa Lencastre-Mantero Belard, em Cascais.
Fotografia gentilmente cedida pelo Prof. Dr. Miguel Metelo de Seixas, 2020.





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